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Entrevista para Luciano Fernandes, Blogdescalada.com:




1 - Juliana, você começou a escalar em Santa Catarina. Hoje você está entre EUA e Brasil. Como foi a sua trajetória para ter esta oportunidade?

Trajetoria? lonnnnga… vou tentar fazer um mini flash back gigante porque uma coisa puxa a outra:

A primeira vez que vim pros Estados Unidos foi em Julho de 1997, numa climbing trip com os melhores escaladores esportivos do Brasil na epoca: Monica Pranzl, Helmut Becker, Fabinho Muniz, Marcelo Braga e o Alvarenga que era mais iniciante como eu. A gente escalou por umas 20 areas entre 6 estados da costa oeste. 

Camp4 1997. Foto: Mauricio Herrera
Ja estava escalando fazia uns 5 anos, tinha pego pódio em varios campeonatos Open brasileiros, ja tinha visitado os principais locais de escalada do Brasil (que ia do RS até MG) e também tinha sofrido um acidente seríssimo onde quase tive o braço esquerdo amputado. Naquele ano tranquei a faculdade de educaçao fisica na UFSC, e com uma pensao que recebia do meu pai estava viajando pelo Brasil so escalando. 
Esse era um tempo sem internet, as informaçoes sobre escalada vinham das revistas gringas que alguns poucos escaladores tinham acesso. Yosemite sempre tava nas revistas. Em 1994 a Lynn Hill escalou a via The Nose em livre, ela ja era minha idola pelas cadenas dificeis e os titulos mundias, mas esse feito em Yosemite foi realmente brilhante. As fotos dela escalando naquele granito liso era muito inspirador, conhecer Yosemite ficou pra mim tão apelativo quanto ir pra lua, escalar a El Captain era pra mim tão distante quanto ir pra lua realmente, mas eu queria ver tudo aquilo de perto. 


Dewil's Tower
A escalada q mais me marcou dessa trip foi o Devil's Tower, com o Marcelinho e o Fabinho {Fabio Muniz faleceu atropelado de bicicleta em 2013}. Ate hoje lembro detalhes desse dia e ali confirmei que esse tipo de escalada em livre, de varias cordadas, de chegar num cume, é o que mais me motiva. Nao ouvimos falar de nenhum outro brasileiro que tivesse ido ali antes da gente entao nos consideramos os primeiros e eu a primeira brasileira a escalar o Devil's Tower. Não guiei nenhuma cordada, o que naquela época não era fundamental para que voce dissesse que fez a primeira ascensao feminina da Montanha. Com o tempo meus critérios ficaram bem mais exigentes. Para mim escalar uma montanha ou uma via, significa participar da escalada efetivamente: guiar cordadas, participar da logistica, dividir os cruxes, seja homem ou mulher.
Cume do Dewil's Tower 1997 com Marcelo Braga e Fabinho Muniz

Tudo me deixou com gostinho de quero mais, principalmente Yosemite onde ficamos so escalamos boulders. Depois de 2 meses todos 
voltaram pro Brasil e eu fui morar em San Diego com uns amigos brasileiros, 8 numa casa de 2 quartos; fiquei 5 meses trabalhando como faxineira e estudando ingles numa free school. 

Em Junho de 1998 ganhei um concurso nacional chamado Marlboro Adventure Team, fiquei entre os 18 finalistas de 30 mil inscritos e fui pro Mexico fazer provas de Motocross, Jeep, e Rapel; La fiquei amiga do David, escalador que no evento cordenava o rapel e morava em Moab. O voo de volta pro Brasil tinha escala em Nova York, desci ali mesmo com 200 dolares na carteira, escalei no Gunks, no Central Park e uma semana depois tava chegando em Moab. 
Verão bombando, aquele deserto vermelho muito quente. Aluguei um quarto na casa do David e ele me apresentou pra galera local. O Brad me arranjou um emprego na cafeteria onde ele trabalhava, comecei limpando o chao e depois fui promovida pra lavadora de louças. Morei por 4 meses. 
Todo mundo que tava la escalando junto virou escalador profissional: Steph Daves, Eric Decaria, Noan Bigwood, Lisa Hataway… Dean Potter tinha acabado de sair pra ir conhecer Yosemite. Entrei num 5.12c esportivo em Mill Creek que quase me saiu avista e onsightei uns outros 5.11 que me serviram como passe pra entrar pro grupo. Foi a melhor época da minha vida, escalava todos os dia, parceiros excelentes que me buscavam em casa e me apresentavam lugares lindos com vias alucinantes. Minha escalada evoluiu muito, passei a entrar so guiando nas vias. Volume de vias avista virou a brincadeira. E o mais legal dessa epoca, aprendi a escalar em movel. Tava no caminho da autonomia que sempre almejei.

Indian Creek foi o lugar que mais gostei, fica 40 minutos de Moab. Aquelas fendas perfeitamente paralelas me conquistaram. 


Escalada em fenda é a modalidade que mais me atrai ate hoje: a arte de subir preenchendo o vazio. é a escalada mais democratica, voce proteje onde quiser (nao fica dependente da altura do cara que bateu o grampo), se for facil estica bem se for dificil proteje mais e no final deixa a fenda limpa pra proxima pessoa fazer do jeito dela.  
O que os EUA tem de melhor é escalada esportiva em fenda. Fendas tecnicamente dificeis, com as proteçoes em movel super seguras, onde o objetivo eh o a vista (onsight) ou a cadena (Red Point). A diferença da cadena esportiva pra cadena esportiva em fenda eh que na cadena esportiva voce pode ter as costuras pre colocadas, na cadena em movel voce tem que lidar com o peso do equipamento e a logistica de como e onde proteger, se as peças forem pre colocadas dai chama Pink Point, nao Red Point. 
Curto as ideias do Royal Robins sobre estilo, tao importante quanto o que voce escala eh como voce escala.

Fui a primeira brasileira a andar por essas bandas: escalei o Castleton Tower (North Chimney 5.9 as 3 cordadas guiando todas a vista), Ancient art (Stolen Chimney 5.10 as 3 cordadas guiando todas avista). Fui a primeira brasileira a mandar 5.11 de fenda, desses de verdade de Indian Creek "Scarface" {depois a primeira a mandar 5.12 em 2007 "Anunaki" }, esse pionerismo onde se apoia o esporte escalada hoje em dia acho super cafona e estimula uma competicao pouco util, mas na epoca achava que estava fazendo historia, sonhava em ser escaladora profissional como esses amigos que conheci em Moab e achava que meu curriculo tava ficando muito ninja. Fui a primeira brasileira a escalar em Zion National Park, considerado o irmão mais novo de Yosemite: Fiz a via "Prodigal Sun" (5.8 C2 em 1 dia), e o Moonlight Butress (5.8 C1em 2 dias), nas duas escaladas guiei algumas cordadas faceis, tudo bem pro primeiro Big wall.

Dezembro me mudei pra Alta uma estacao de ski perto de Salt Lake. Num lindo dia de sol cai esquiando e rompi o ligamento cruzado do joelho esquerdo. 
Janeiro de 1999 tava de volta em Floripa. Uns meses depois ganhei um concurso nacional promovido pela Sportv chamado "Sou a Cara do Role". Mandei umas fotos minhas escalando no deserto de Moab e ganhei um fim de semana com essas cariocas que apresentavam o programa, praticamos sandboard, parapente e escalada. Devido a repercusao dos programas fui chamada pra fazer teste pro Patrola programa que iria estreiar na RBS TV que eh a Rede Globo em Santa Catarina; 

Março de 2000 eu estreiava como apresentadora. Entrei de cabeca na profissao de jornalista, me empenhei mesmo em achar pauta pros jovens Catarinenses. Ao longo dos 3 anos fiz mais de 300 entrevistas com Globais, musicos nacionais e estrangeiros, artistas de rua, pescadores, atletas, entrevistei muitos dos meus idolos, conheci pessoas incriveis e muitos famosos sem talento tambem. 
Virei VIP, era convidada pra todos os eventos da cidade, meu celular nao parava, ganhava roupas, ingresso pros shows, era cortejada por aqueles caras cheios de fas, comprei um carro com meu dinheiro, dava autografo na rua. O programa bombava e eu tinha uma carreira pela frente, mas, adivinha? nao tinha tempo pra escalar. Um dia minha amiga Paulinha me deu uma foto recortada de uma revista: "esse aqui nao eh aquele lugar que tu sonhavas escalar", era uma foto da El Captain em Yosemite. Chorei por algumas horas segurando aquela foto. "A vida eh o que voce faz com as horas do seu dia". No dia seguinte pedi demissao.
Vendi umas coisas, dei outras. O que sobrou deixei na casa da minha mae. Juntei uma grana, arrumei a mochila e parti pruma viagem, uma jornada de auto conhecimento, qual o sentido dessa vida?



Julho de 2003 cheguei no Kauai a ilha mais linda do Hawaii, fiquei 4 meses surfando e lavando pratos, depois fui pro Colorado. 
Passei por Moab e o Brad tinha casado com a Lynn Hill, fui pra Cuba com eles fazer um filme de escalada.  
2004 finalmente cheguei em Yosemite, e na minha primeira temporada escalei a El Capitain pela via "Triple direct" (cordadas divididas igualmente entre os participantes), escalei a East Buttress guiando todas as cordadas a vista, o Half Dome (guiei 18 das 23 cordadas em 9 horas) e mandei avista fendinhas que ate hoje nunca vi ninguem mandar ("the Tube", "Manhana", "Lunatic Fringe"…), foi uma temporada incrivel. Conheci o Bryan no Camp4, escalamos namoramos, 2004/2005 moramos 5 meses na Tailandia, sobrevivemos ao Tisunami… casamos em 2007. 

Basicamente vivo essa viagem ate hoje. Pra cima e pra baixo. Fazendo dinheiro nos EUA e gastando escalando pelo mundo. 


2 - Yosemite é um dos lugares que você chama de "lar" agora. Como é a vida de um escalador em Yosemite? é o paraiso que se imagina? 

O Valley é uma cidade, tem hoteis e atividades turisticas e tambem mercado, escola, hospital, delegacia. Muita gente mora aqui o ano inteiro, a grande maioria trabalhando para o parque e varios desses começaram a escalar agora.

O clima permite escaladas o ano todo em Yosemite, o parque tem mais de 2000 lances entre boulders, vias em movel, vias grampeadas, bigwall em livre, big wall artificial, vias alpinas e no inverno algumas cascatas de gelo; num granito lindo, gostoso, mais liso no Valley e mais abrasivo em Tuolumne que eh a parte mais alta do parque. 
Durante o inverno a galera (geralmente os escaladores patrocinados) deixa cordas fixas em vias classicas das falesias que bate sol, então todo mundo escala sozinho com Mini -Traxon ou outro equipo auto blocante, é  bem pratico. 

Varias geraçoes coexistem, por exemplo: a vida do Ron Kauk, meu visinho escalador que veio nos anos 70 e nunca mais foi embora é diferente do Dean Potter atualmente famoso que esta aqui quando nao esta em outro canto do mundo, ou da minha amiga que trabalha como geologa do parque e so tem livre depois das 6 da tarde e nos fins de semana que é quando a gente tem ido escalar juntas. 

Ja morei meses em baixo dos boulders do Camp4 escalando fanaticamente sem grana e sem conforto. Outros veroes aluguei uma cabana rustica, fazia uns trabalhos temporarios e escalava quando a tendinite deixava; A minha vida de escaladora esse ano ta bem mais de mae do que de atleta; To trabalhando varias horas por semana, quando vou escalar escolho vias que tenham a base boa e segura pra levar a filha junto.   

O Paraiso é onde voce tem saude, tempo, parceria e grana pra ficar escalando, seja onde for.


3 - Para quem tem o sonho de escalar em Yosemite, quais os principais conselhos que daria para a pessoa não se assustar com a realidade de la?

Se é sonho, nao te demores.

O grau das vias acho q é o mais descripante, se prepara pra escalar 5.10. 
Esquece aquelas tabelinhas conversoras de grau, nao funciona pra Yosemite. Aqui que foi inventada essa escala de graus, e no começo era igual escala de artificial com grau limite acabando em 5.10. Varias das vias que voce vai escalar sao dos anos 70 e 80 com graduacoes que so agora a galera ta atualizando nos livros.
5.9 ta mais pra sexto grau e 5.10 pra sétimo comparando com os graus de fenda do RJ e SC. Yosemite nao e' terra pra quem quer pontuar no site 8a.nu
5.6 de chaminé pode ser bem dificil. 
Se voce entrar num 5.10a na base da El Captain chamado Moby Dick e tomar uma surra da via, nao se assuste a maioria passou por isso.

"sons of yesterday" a vista 2008. Foto: Flavio Daflon


Inevitavelmente voce vai fazer umas escaladas que não da pra cair, esticoes faceis mas verdadeiros solos.
Alguns lances de algumas vias sao obrigatorios, se informe antes; Free Blast por exemplo, em alguns cruxes da pra roubar se puchando nas peças (French Free)  mas outros de aderencia sao obrigatorios.
Vias classicas que aparecem nos livros guias com estrelas geralmente são polidas, com agarras de pe que viraram "marmore", cuidado.
O parque é cheio de normas, principalmente no verão. Mas nao desista, fique aqui o maximo que puder e tua escalada vai evoluir certo.
Tudo é muito maior do que parece visto do chão.
As ortigas Poison Oak sao horriveis e estao por toda a parte no Valley, Cuidado.
As ervas sao mais fortes va devagar. 

Os ursos se assustam mais com voce do que voce com eles, se ver um urso espante ele assim como a gente toca o cachorro pra fora do quintal, abra seus braços ficando bem grande, faça bastante barulho e mande ele ir embora.

"The Tube" a vista 2004. Foto: Charles Borgh

4 - As competições de escalada no Brasil estão vivendo um renascimento desde o ano passado. Como uma ex competidora como visualiza as competições de
escalada?

Ainda sou competidora. Nao corro atras, mas se tiver uma competiçao por perto, que tenha uns brindes eu me inscrevo. 
Em 2014 participei da unica competição que teve em Santa Catarina (Campeonato de boulder de Laguna-SC), teria competido em outras se tivessem; fiquei em segundo lugar, perdi apenas pra campea brasileira Camila Macedo. 

Desde a primeira competição que participei em 1994 ate hoje nunca perdi pra nenhuma competidora nascida ou radicada em Santa Catarina, devo ser a unica escaladora brasileira que mantem essa posição de invicta no seu estado por tanto tempo. 
Por falta de acesso escalei pouquissimas vezes em resina, muros e ginasios, o que me aproxima das atletas fortonas esportivas eh que tenho uma leitura de via boa pois estou sempre viajando e praticando a escalada a vista.

Hoje em dia ouço falar mais de festivais do que campeonatos, e principalmente de boulder. Realmente campeonato de boulder é mais legal pra assistir do que de via, mas pra escalar curto mais vias; sera que um dia vai ter campeonato so de fendas? esse eu participaria com certeza.

Em 1995 organizei junto com Ralf Cortes o primeiro campeonato Brasileiro de boulder em rocha, foi na Praia Mole em Floripa, da epoca que ainda nao se usava Crash Pad.

Campeonato sempre foi desculpa pra viajar e oportunidade boa pra conhecer outros escaladores e marcar alguma aventura e essa ultima competição não foi diferente. Conheci a Camila e umas semanas depois estavamos no Rio de Janeiro escalando o Pão de Açucar numa empreitada divertidissima que vou lembrar pra sempre.


5 - Muitos escaladores ignoram a potencialidade de locais para escalar na América do Sul. Quais lugares que você recomendaria fortemente as pessoas
conhecerem em vez de ir para a Europa?

Conheça tudo! O mundo e' seu.

Conheço o Frei na Argentina, passei uns dias no Chile, fui em Machu Pichu no Peru… o q conheço de escalada na America do Sul é o Brasil rodei bastante. 
Pros meus amigos gringos sempre falo de Salinas RJ, os calcarios do Cipo em MG, Petropolis e a Serra dos Orgaos, os boulders nas lindas praias de Floripa. Sempre estimulo essa viagem dizendo que o melhor do Brasil sao os brasileiros e a experiencia como um todo é incrivel, escalador brasileiro é vibe demais. 
Se eu tivesse grana/tempo gostaria de conhecer as escaladas do nordeste do Brasil, também a Esfinge no Peru, Cochamo, Chalten, Rio Turbio ... E' muito lugar né?!


6 - Você é mãe. Como é para uma escaladora ser mãe e continuar a praticar a escalada e o estilo de vida de escalador?

AH! é o momento da verdade, conseguir concilhar as duas coisas: nao deixar de escalar e nao deixar de ser mae. 
Se voce escala pelo esporte, rendimento, grau…com filho voce vai ter bem menos tempo pra voce e seus projetos; se a escalada é um plano pra vida toda, um caminho pro auto conhecimento, a arte com a qual voce interage com o mundo, dai filho so vai adicionar pra esse passeio.  Para alguns ter filhos é um fardo, e todo mundo é bem zeloso quando o assunto é familia, entao falo por mim: Viver a experiencia do parto, olhar os olhos do bebe e ver o universo, amamentar…, foi sem duvidas nenhuma a experiencia mais incrivel da minha vida. A maternidade me encheu de amor, colocou muita coisa em perspectiva. Minha filha é meu guru, grande parceira, a flor mais linda q ha no mundo. Quem tem filho sabe e quem nao tem vai achar o papo chato. 

A Obstetra falou que poderia fazer qualquer atividade que nao aumentasse muito os batimentos cardiacos ou deixasse ofegante. Escalei ate nove meses de gravidez em top rope com a caderinha de bigwall do meu marido. Quando ela fez 4 meses ja recomeçamos as viagens e entre uma mamada e outra eu fazia uns boulders e/ou vias. Criança se adapta muito facil, so depende dos pais. todas as maes escaladores que eu conheco sao maes incriveis, maternidade tem uma logistica de expedicao acho que eh por isso. Hoje em dia tambem tem varios equipamentos excelentes pra viajar e acampar  (Ergobaby, BOB stroller, por exemplo, sao equipamentos incriveis). 
Filho é uma mochila que te da beijos e que tem o melhor cheirinho do mundo e se voce der sorte ainda vai ter alguem pra guiar vias pra voce quando voce for velho.

O que mudou com a maternidade é que fiquei bem mais cautelosa, passei a arriscar menos, busco locais e vias mais seguras, comprei um capacete. Fiquei mais dependente dos amigos tambem, antes precisava de um segue, depois voce precisa de um segue e mais um pra olhar o baby; quem tem amigas, de preferencia outras maes, vai ter mais chance de escalar. 
Em 2014 mandei 7 fendas de oitavo grau, duas delas bem difíceis. Na Hieroglifos, via da pedra do Ser em Petropolis, a cadena so saiu porque a querida Luciana Maes se prontificou a ficar com a Lani na base enquanto eu escalava, assim também a Janaina Xavier ficou com ela enquanto eu mandava a 'Swedin-Ringle' em Indian Creek Utah. Hoje em dia as cadenas sao coletivas. Obrigada amigos e amigas prestativas pela ajuda e que venham mais bebes pra essa familia da escalada.


7 - Reclama-se muito que no Brasil não há uma cultura de montanha forte. Na sua opinião, o que você acha necessário para reverter esta realidade?

Urca RJ, Marumbi PR, Itatiaia… as areas propicias tem cultura de montanha forte eu diria.
Brasil tem um litoral gigante, magnifico, dai a cultura da praia; lugar quente, húmido, se alguém sai do conforto do lar vai pra praia. 
Nos Estados Unidos por exemplo o mar é muito frio, o interior é que é gigante, as áreas de montanha sao florestas de pinheiros, campos abertos, sem muitos insetos, lugares exoticos que viraram parques com infra estrutura (banheiro, mesas, area pra barraca e fogueira…). 
Tem o fator economico, os equipamento de camping sao mais acessiveis (variedade, preço, poder aquisitivo) tem a cultura do motorhome… assim os parques sao frequentados por todos como é a praia pra nos. A maioria dos parques tem pedras, e a maioria dos americanos ja viu alguém escalando e brincou de subir em pedras quando ainda criança (rock scrambling). 
Para reverter, estimular os brasileiros a frequentarem as montanhas, acho que mais parques, áreas com infra estrutura e educação/informaçao sobre a área visitada; 
Mas nao acho q tenha q reverter. Imagina, eu nasci e vive em Floripa onde a cultura da praia e surf sao fortissimos. Acho que o que me atraiu na escalada é que os lugares nao sao crowdiados e eu gosto da solitude das Montanhas, da idéia de ser um lugar para poucos sem muita propaganda.










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Reinhold Messner

A revista Rock&Ice do mes de junho traz uma entrevista com Reinhold Messner. Ta aqui pra voces a entrevista traduzida com algumas informacoes complementares que eu achei na net {e’o que ta entre aspas}.
 

{Entre 1950, quando ele tinha 5 anos, ate 1964 quando ele fez 20, Messner guiou 500 ascencoes nos Alpes, uma media de 36 grandes e imponentes vias por ano - muitas delas primeira ascencao. Em 1968 ele aumentou 1 numero inteiro o grau de dificuldade da escalada alpina quando escalou, em solitario a vista, a via Messner no Pilastro di Mezzo nas Dolomitas, abrindo o primeiro 5.11d alpino (de botas). Mais tarde Messner redefiniu a escalada de alta montanha, trazendo os conceitos de pouco peso, escalar rapido, “estilo alpino” em oposicao ao estilo "grandes expedicoes" que na epoca era o comum. Sempre com a filosofia do “fear means” que eu traduzi aqui como “de forma justa” sem muito auxilio de parafernalias tecnologicas como radios ou garrafas de oxigenio. Quando ele escuta que e’ considerado o melhor escalador que ja existiu ele diz que isso e’ “Bullshit”.}

Reinhold Messner, 66 anos, Montanhista, Aventureiro, Politico, Autor, Curador {do seu proprio museu}

EU CONTINUO UM ESCALADOR TRADICIONAL. Entao pra mim escalada tem que ter 3 elementos: dificuldade, perigo e, o mais importante, exposicao. Exposicao significa que nao tem posibilidade de ajuda vinda de fora. Quanto mais alto voce estiver, no local mais remoto, e quanto maior a dificuldade do que vir adiante, maior a exposicao.  A escalada do Steve House com o Vince Anderson na montanha Nanga Parbat foi tao importante porque eles estavao sozinhos com total exposicao. Se eles tivessem feito qualquer coisa errada eles nao teriam chance de se salvar. Eu acho que apenas alguns escaladores entendem como e porque exposicao e’ o ingrediente mais importante.

A ESCALADA EVOLUI com cada geracao tentando mudar a ideia do que e’ considerado impossivel tornando-o possivel. Mas se voce usar toda a tecnologia disponivel, voce pode fazer qualquer coisa, mesmo nao sendo escalador. O impossivel nao esta la. Nos deveriamos aceitar a ideia que algumas coisas devem se manter impossivel, mesmo em um millhao de anos daqui.

{Messner foi o primeiro a subir o Everest sem oxigenio em 1978, considerado impossivel por todos, escaladores, medicos, cientistas; depois voltou em 1980 e foi o primeiro a escalar o Evereste em solitario (sozinho), foi tambem o primeiro a escalar as 14 montanhas com mais de 8000mt e o segundo a escalar os 7 cumes dos 7 continentes, sempre da “forma justa”, sempre sem garrafas de oxigenio, radios, aparatos tecnologicos ou ajudas externas}

EU GOSTARIA DE REMOVER todas as competicoes de esportes ao ar livre. Competicao nao e’ uma coisa importante. O importante e’ aprender como se comportar na natureza selvagem.


A MONTANHA MAIS BONITA DO MUNDO nao e´ a mais alta, ou a mais dificil. E’ pessoal. E’ sempre aquela que eu to sonhando. No momento, e’ uma no Nepal. Mas eu nao vou contar o nome.

MEU PAI foi professor e escalador entre as duas Guerras mundiais. Ele me ensinou como se comportar nas montanhas. Simples mas importantes licoes de respeito e sobrevivencia. Nos eramos uma familia grande com 9 criancas. A gente cresceu nas montanhas entao e’ logico que a gente queria escalar. {Messner nasceu no Tirol do Sul, Italia, na divisa com a Austria, dia 17 de setembro de 1944; cresceu em Villnoss Valley nas Dolomitas e comecou a escalar com 5 anos}

SEM FRACASSOS EU NAO ESTARIA AQUI. A maioria das coisas que eu sei hoje eu aprendi atraves deles. Talves o parceiro, o equipamento que nao era apropriado, ou o treinamento- especialmente o treinamento mental que e’ o mais importante- que nao era bom suficiente. Com sucesso, voce nem sempre sabe o que deu certo, mas com a falha, e’ bem claro o  que deu errado. Dai voce pode fazer mudancas e aprender.

NAO ME TORNEI BEM SUCEDIDO na minha area porque eu sou melhor ou mais inteligente que os outros. Nao, eu me tornei bem sucedido porque tive forca de vontade, de fracassar e depois tentar de novo, e de novo, e de novo.

CADA GERACAO TEM A OPORTUNIDADE de definir os maiores feitos/conquistas, e os escaladores que os fazem sao os escaladores que se sobresaem. A historia da escalada nao e’ nada mais que dizer o nome da escalada chave da epoca. Mont Blanc em 1786. O Matterhorn em 1865. Face norte do Eiger em 1938. Face Rupal direta do Nanga Parbat em 2005. Mas e’ impossivel comparar escaladas dos anos 30 com anos 70 com hoje em dia. Cada escalador e’ peca chave do seu tempo e nao fora dele. Nao tem como dizer este e’ "o melhor feito na escalada” ou “esse e’ o melhor escalador” de todos os tempos. Isso e’ babozeira.


HOJE EM DIA E’ DIFICIL DIZER quem e’ o escalador mais relevante, porque tem tantas disciplinas. Escalada em Rocha deve ser o Chris Sharma, mas quem sabe tambem o Adam Ondra. No alpinismo classico por pelo menos 15 anos foi Alex Huber. O mais criativo em escalada de alta montanha, nos ultimos anos e’ o Steve House.

QUANDO AS PESSOAS ME DIZEM que me concideram o “melhor de todos”, isso me demonstra que eles nao sabem nada de historia. Teve um tempo entre 1975 e comeco dos 80, que eu tava liderando e contribui para escalada juntamente com Peter Habeler. A gente teve que inventar uma nova abordagem pro montanhismo, e por alguns anos nos eramos os unicos a escalar assim porque mais ninguem tinha experiencia pra escalar uma montanha “de forma justa”. Mas os escaladores Eslovenos e os Poloneses nos alcancaram bem rapidamente.

EU ERA UM GRANDE ADIMIRADOR DO TOMAZ HUMAR. Ele era com certeza o escalador de alta montanha mais relevante nos anos 90. Ele arriscava bastante. Eu ainda nao entendi o que aconteceu com ele no Langtang Lirung. Fiquei sabendo que ele tava interessado em se tornar politico. Acho que o foco dele nao tava na montanha onde ele morreu.

EU CONHECO DAVID LAMA muito bem e nao vou falar mau dele.

POLITICA E’ O OPOSTO DE MONTANHISMO. Numa montanha e’ cada um por si, num nundo de Anarquia, com a chance de experimentar como era 100 mil anos atras, quando os Humanos eram animais selvagens e nao dependentes do mundo social. A figura mais forte do grupo de escaladores decide o que fazer, como continuar. Como escaladores somos inventores dos nossos proprios objetivos e sozinhos devemos decidir como alcanca-los. Nao tem mais ninguem la. Ninguem pra controlar. A gente faz coisas extremas, perigosas e ninguem pode dizer o que e’ certo ou errado. Sem repugnancia moral. A gente tem so nossos instintos sobre comportamento humano, e no final nos somos nossos proprios juizes.

(pagina 38)

A ARTE DA POLITICA E’ COMPROMISSO, e se voce esta comprometido cada minuto na montanha, voce nao vai muito longe. 

RESPONSABILIDADE SE APRENDE nas montanhas, nao aqui na sociedade. Aqui a gente poe a maior parte da nossa responsabilidade nos outros. A gente tem Seguro. Nas montanhas, suas atitudes sao diretamente ligadas com suas responsabilidades.

  

SUCESSO TA BASEADO EM ACHAR O PARCEIRO CERTO. O parceiro tem que estar disposto a escalar. Voce nao necessariamente precisa de um amigo, apesar de que seria melhor. Voce nao precisa nem de um parceiro com o mesmo nivel de abilidades. O que e’ mais importante e’ identificacao mutua com o objetivo. Se voce levar alguem que nao esta disposto, alguem que por acaso e’cetico, o risco e’ muito grande porque tua responsabilidade e’ muito grande. A responsabilidade ta desbalanceada. Responsabilidade tem que ser dividida entre voce e seu parceiro.

TALVEZ EU FUI SORTUDO, mas eu tive parceiros muito bons. Entretanto eu confio nos meus instintos pra escolhe-los. Eu tive que achar parceiros diferentes pra objetivos diferentes: escaladas em rocha, alta montanha ou travessias no deserto.


Antartica 1990 
{Messner atravessou a pe’ a Antartica (Polo Sul), a Groenlandia, o Tibet, os desertos de Gobi (Mongolia) e Takla Makan (China)}

A VIDA DEPOIS DA MORTE E’ ALGO que a gente nao tem instrumentos. A gente nao pode entender com a nossa inteligencia, nem ver com os nossos olhos, ou sentir com o nosso nariz. Nossos instrumentos foram concebidos para compreender este mundo. O que tem no alem e’ alem. Eu nao penso nisso.

MORRER E’ A COISA MAIS FACIL. Eu ja estive perto da morte antes, bem perto, e nestes momentos eu nunca senti que a vida depois da morte fosse importante. Voce vai fazer o que puder pra viver, mas se voce ta realmente perto do fim, dai e’ como, “ beleza, to feliz, acabou”.

O ARTIGO MAIS INTELIGENTE escrito por um escalador e’ “Artificial Aids on Alpine Routes” do Paul Preuss [corajoso alpinista Austriaco, 1886- 1913]. Preuss foi um desses escaladores originais que adotou e se empenhou na ideia da “escalada justa”. Uma das coisas que ele escreveu e’ que voce nunca deve bater um piton, nunca.

QUANDO EU ESCREVI “ASSASSINO DO IMPOSSIVEL”, em 1971, eu recebi uma carta de uma senhora de 96 anos que disse ter sido namorada do Preuss. Ela me mandou o martelo de piton dele. Sim, ele tinha um martelo so pra caso de emergencia. Ela disse que um dia eu deveria dar o martelo pra algum escalador que pensasse assim como Preuss e eu. Eu tenho esse martelo guardado na minha adega por todos esses anos, e sempre soube que um dia eu teria que fazer alguma coisa com ele.

ESSE MARTELO foi o impeto para a construcao do Messner Montanha Museu, uma colecao de 5 predios diferentes dedicados aos diferentes aspectos das montanhas, escaladas e cultura. Eu considero  essa construcao a minha “sexta vida” e quando estiver acabado nesse verao, eu serei livre novamente, e uma nova vida vai comecar. Eu gostaria de contar historias de montanhas nas grandes telas de cinema. {os cinco museus ficam na regiao nordeste da Italia tendo o aeroporto de Bolzano como o mais perto. Lindos castelos, um projeto realmente grandioso, online ja da pra ter uma ideia}

{Messner escreveu mais de 50 livros, traduzidos em 12 linguas}

VOCE JA VIU “LIMITE VERTICAL”?  Eu achei horrivel.

NOSSOS INSTINTOS HUMANOS vao diminuindo conforme a gente passa menos tempo na natureza selvagem: tempestades, frio, nevoeiro, pedras soltas, aventura. Escalada e’ uma importante e sagrada oportunidade de viver situacoes que a gente encarava cem mil anos atras. A parte animalesca dos humanos. Nossos instintos sao elementos importantes da nossa inteligencia.

QUANDO EU TINHA 20, eu nao acreditava que a vida que eu vive poderia ser possivel. Eu nao achava que poderia ser possivel ser escalador profissional. Eu me tornei escalador profissional. Eu me tornei escalador de alta montanha, um aventureiro. Virar politico foi o mais facil, e eu fui por 5 anos, e depois disso ficou chato. {Messner foi membro do Parlamento Europeu de 1999 a 2004}

O QUE EU FALO PROS JOVENS e’ que se voce identificar seus objetivos, e ter a forca de vontade pra vencer as dificuldades- e elas sempre vao existir- e se voce achar as pessoas certas pra te ajudar, voce sera vitorioso.


{Steve House comenta assim: “atraves dos anos eu venho entendendo Alpinismo com as minhas proprias experiencias, com bivaques congelantes, cumes ja no por do sol, cochilos pos-escalada nos descampados rarefeitos do Himalaias. Eu sinto que posso entender um pouco os sentimentos profundos que o Messner tem pelas montanhas e a vida de alpinista. Mas nao importa quantas vezes eu tente eu nao encontro palavras. E e’ verdade, como vai descrever: 700 novas vias nas Dolomitas, o primeiro 5.11d alpino, a primeira ascencao em um dia de uma Face Norte, a primeira via do Rupal Face, a perda de um irmao (e de 6 dedos do pe 1970), a primeira escalada de uma alta montanha em estilo alpino, a primeira ascencao em solitario do Everest, a primeira escalada de duas montanhas de mais de 8000 em sequencia, 18 cumes de mais de 8000mt. Mesmo quando as palavras vem e sao verdadeiras elas nao parecem suficientes”}


Messner tem o alemao como lingua principal e a entrevista foi feita em ingles, eu traduzi pro portugues o que foi publicado na revista; tente apronfundar, igual a telefone sem fio quanto mais perto da fonte melhor a informacao. 
Tem um video da entrevista online www.rockandice.com/messner .
Reinhold Messner no www.wikipedia.org em ingles tem bastante info; tem o site dos museus mas que tambem tem uma biografia em ingles e italiano: www.messner-mountain-museum.it  e tem o site dele oficial em alemao: www.reinhold-messner.de .
Gostei muito desse site aqui www.badassoftheweek.com/messner.html ta em ingles.

Messner pra mim e’ quase como um avatar; tomara que suas palavras e feitos sirvam pra voces de inspiracao e depois expiracao! 

2010

Das'antiga, video de 2003. Que visu Canto Grande.


Saudades do Brasil! esse ano eu vou

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Video que eu fiz pra revista da Sil http://www.updatemagazine.org/issue1/



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Vida em Santa Cruz vai boa.
Show do Toumani Tiabate 16 agosto, Lani foi tambem (primeiro show).
Aqui nesse video ta o vovo da Lani surfando River Mouth nas'antigas.

Gerando Vida



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15/ outubro

email pra FEMESC

"Tem varias razoes possiveis pros escaladores nao terem ido na competicao: de repente o muro era palha, ou a premiacao nao valia a pena a viagem ou o preco da inscricao; de repente o route setter nao era bom ou a competicao nao foi divulgada com antecedencia suficiente pra galera se organizar, quem sabe muitos nao estao no seu melhor "shape" dai nem se alugaram em ir la perder pros Campo Alegre, ou porque os escaladores Catarinenses tao mais na onda de passar o fim de semana na rocha do que num ginasio. Quem sabe repensar esses fatores pra uma proxima etapa vai ajudar a ter mais audiencia ou nao ter decepcao.

Vi as fotos dessa etapa de Tubarao no orkut, os boulders do morro da antena parecem bem legal, deu vontade de estar la curtindo com o grupo.

acho que se tem erro e criticas e' positivo; quer dizer que a galera "ta se mechendo" e o "acerto" e' so' questao de tempo.

Nunca entendi essa de desenvolvimento do esporte. O que tu quer dizer? Ganhar dinheiro? viver do esporte? So' quem vive $$$$ do esporte sao empresas e os patrocinados por empresas. 
Quando a gente fundou a ACEM (nao a ACEM de agora a que eu falo e' a ACEM original dos anos 90), em inumeras conversas sobre o assunto a gente queria uma ferramenta pra lidar com o "sistema", e tinha vontade de se conectar com outros escaladores e desenvolver mais escaladas mas nao a profissionalisacao do esporte. Deixa eu tentar explicar. Nossa ideia nao era ter um clubinho com carterinha, mensalidade e camiseta; era juntar pessoas pra escalar mais. Nao queriamos imitar o " sistema" a burocratizacao, a hierarquia, a politicagem; a gente ja escalava pra fugir do "sistema" qual o sentido dai de criar um "sistema" pra escalada? 
Passar o maximo de tempo na rua, ver o sol nascer e se por, dormir em qualquer lugar, comer qualquer coisa, viver sujo de magnesio e terra, dancar no mundo vertical; saber viver sem televisao, espelho ou banho; escalar e' uma atividade socialmente super marginal, e' naturalmente contra sistema. 
Quem sabe tem gente que nao participa de associacoes porque nao concorda com as ideias desses clubes, mesmo amando a Escalada Artistica, Filosofica ou Esportiva (de rocha ou competicao).

Com essa mesma desculpa de "desenvolver o esporte" quantos grampos foram batidos desnecessariamente por toda parte. Ja sofri muito observando essa atrocidade. Ouvi dizer que era porque tendo vias mais faceis (o que nao e' sinonino de vias cheias de grampos) teriamos mais escaladores. E sera que se busca mais escaladores ou escaladores mais harmoniosos com o meio? Nos 90 se tinhamos 15 escaladores na ilha, 8 escalavam 7 grau e uns 3 escalavam 8 grau (e isso queria dizer podio nas competicao nacionais) podemos igualar o 8 da epoca com o 9 de agora. Quantos escaladores escalam e quantos escalam 9? sera que essas vias "faceis " fizeram os escaladores escalarem mais e desenvolver mais suas potencialidades? Ou surgiram varias bengalas que deixam os escaladores mais covardes a tentar vias que tem esticoes?
Com certesa mais gente escala isso eu nao tenho duvida, mas qual o proveito que se tira dessa experiencia e qual a vantagem da crowd?

No passado ja busquei divulgar a escalada, nao pra ganhar dinheiro mas pra nao me sentir tao ET perto de pessoas que nunca tinham ouvido falar de escalada (materias pra jornal, tv, revista); dai depois de viajar por tantos cantos, e tantos tao crowdiados eu repensei meus valores. 

Na Tailandia tem realmente fila pra escalar, as vezes voce e' o quinto da fila, Morro da Cruz mesmo ja vivi um dia la' que o lugar parecia um Zoologico com radio alto, isopor com cerveja, cachorro, gritaria... e isso que chama desenvolver o esporte? ter varias pessoas escalando?! Posso estar ficando velha mas gosto de escalar em lugares silenciosos com pessoas em harmonia com o pico, sem fila, sem ter que ver o cara escalando com o risco de cair na cabeca do outro porque as vias sao muito perto uma da outra e o cara nao se liga que tem que esperar um pouco, ou ainda ver o outro figura que nao sabe fazer o no de oito ou dar segue e poe a namorada em risco.

Se algumas pessoas "sumiram" e nao participam ativamente de associacoes ou de atividades pra desenvover o esporte quem sabe essas tao buscando uma forma mais efetiva de fazer alguma coisa pela escalada que pra mim nao se trara de um esporte. Compreendo a escalada muito mais como arte e Yoga ( busca do samadhi) do que esporte.



50 anos da Nose

Ano passado fez 50 anos da conquista da via Nose na El Capitan em Yosemite; A Yosemite Climbing Association organizou uma reuniao com os escaladores que participaram da conquista. O mais importante deles foi o Harding que ja e' morto mais os outros 6 que estao vivos estavam la. Todos ja corcundas e bem velhinhos com as juntas dos dedos bem grossas e os rostos cheios de rugas de quem passou muitos e muitos dias no sol.

A conquista  da Nose levou varias investidas entre 1957 e 1958, com muita chuva na cabeca, com cordas de manila depois nylon, sem caderinha so umas fitas amarradas no peito, alguns pitons, sem oito, jumar ou polias, so alguns mosquetoes ovais; improvisando Stoper com pedras e fitas, pra uma das fendas eles levaram uma perna de fogao que tambem lacaram servindo de protecao, essa cordada ate hoje e' conhecida como Stoveleg. 
Essa conquista (praticamente toda em artificial), foi um grande marco na escalada em rocha e consequentemente na escalada esportiva. Poderia citar os nomes deles mas voces assim como eu provavelmente nunca ouviram falar antes (a nao ser o Harding que levou toda a fama) eles nao sairam na Climbing magazine ou no Dosage, eles tambem nao tem blog; por sorte pude ver nessa reuniao slides dessa conquista, mais um bate papo tentando lembrar detalhes de 50 anos atras, os velhinhos continuao bem lucidos apesar de todos os acidos dos anos 60. 
Um mes antes desse encontro dos vozinho, Hans Florine e Yuji Hiraiama baixaram o recorde de velocidade da Nose pra 2 hora e 37 minutos e isso voces podem ver no ultimo Master of Stones.
Pra mim aquele encontro com o passado foi super inspirador, foi como encontrar com meus avos, meus avos por opcao de vida. E eu entendi um outro aspecto da minha pratica.

A maior contribuicao que se pode dar pra pratica da escalada e' continuar escalando e tentar se manter vivo. Depois de tantas contusoes, tendinites, ossos quebrados, robadas; depois de tantas vezes ir pro oitavo grau e voltar pro quinto e malhar ate o oito e voltar pro quinto de novo e viver os parceiros que vem e vao e os perrengues de falta de grana; continuar escalando e' quase um milagre (na minha historia mesmo conheco poucas pessoas que aguentariam entre elas ta o Evil Canival).

Quanto tempo voce vai se manter nesse esporte? e' teu trabalho? Como voce imagina o cenario daqui 15 anos?

Nasci no Centro em Floripa, to com 32 anos, escalo desde os 14 aprendi principalmente na Pedreira do Abrao, depois sai viajando que acho que e' o que todo escalador deve fazer. Os Campo Alegre por exemplo deveriam tudo ir morar na Europa por um tempo. 
Continuo escalando 7a (em top roupe) mesmo gravida de 8 meses e busco criar meu nenem nas montanhas que e' onde eu e meu marido vivemos.

Ano que vem quem sabe entre uma mamada e outra posso participar do ranking catarinense se voces estipularem datas com antecedencia e se a inscricao valer a pena. E ai Mulherada, como e' que e'? tao treinando? eu ainda to invicta, nunca perdi em Santa Catarina, vao encarar!?! E organizadores, competicao guiando ne', sem aquela viadagem de top roupe pras meninas.

A temporada em Yosemite ja ta acabando; Novembro e' bom no deserto, Indian Creek, as fendas perfeitas. Dezembro, janeiro tem Hueco Tanks pra quem gosta de boulder. Aproveita que o dolar ta baixo e ouvi dizer que com o Obama ta mais facil de tirar o tal do visto.

Se alguem dessa lista precisar de dicas aqui dos Estados Unidos da um toque ajudo como puder. To com internet esses meses.

Nossa voce leu ate aqui? 
Boas escaladas, memoraveis aventuras

Juliana Petters "

Competiçoes




ESCALADA ESPORTIVA- Categoria Feminino Máster


3º Lugar desafio do Predio floripa. Unica entre homens e mulheres a escalar a via dando o nome de Padrao Aleatoria 8a grau sugerido. Floripa 2004
2º Lugar. Campeonato Open de boulder Sapo Agarras. Catarinense melhor colocada. Laguna 2014

Campeã Catarinense 2010
1º Lugar. 2ª Etapa Ranking SC (boulder). Joinville 2010
7º Lugar. Conquista Open de Boulder. Curitiba/PR 2010
1º Lugar. 1ª Etapa Ranking SC (boulder). Tubarao 2010

Campeã Catarinense 2006.
1º Lugar. 4ª Etapa Ranking Catarinense. Joinville 2006
1º Lugar. 3ª Etapa Ranking Catarinense. Fpolis 2006
Lugar. 1ª Etapa Ranking Brasileiro. Belo Horizonte/MG 2006
1º Lugar. 2ª Etapa Ranking SC (boulder). Camboriu 2006
1º Lugar. Festival Pedreira do Abraao. Fpolis 2006
1º Lugar. 1ª Etapa Ranking SC (boulder). Campo Alegre 2006

1º Lugar. 1ª Etapa Ranking Catarinense. Fpolis/SC. 2003
1º Lugar. Festival (boulder) Academia?. Blumenau/SC. 2003.
1º Lugar. Academia do Roger. Camboriu/SC. 2003.

1º Lugar. Campeonato OpenWinds. Fpolis/SC. 2002.
3º Lugar Boulder e Velocidade. Caxias do Sul/RS. 2002.
1º Lugar. OpenWinds. Fpolis/SC. 2001

Campeã Catarinense 2000
1º Lugar. Etapa Ranking Catarinense. Brusque/SC. 2000.
1º Lugar. Etapa Ranking Catarinense. Garopaba/SC. 2000.

1º Lugar . Etapa Ranking Catarinense. Rio do Sul/RS. 1999.
1º Lugar. I Joinville de Escalada em Rocha. Sao Chico/SC. 1998.
1º Lugar. Adidas Open de Escalada Indoor, Sogipa. Porto Alegre/RS. 1997.

1º Lugar. 3º Paraná Open de Escalada Indoor. Curitiba/PR. 1996.
1º Lugar (Empate). Campeonato Formiga Open. Curitiba/PR. 1996.

3º Lugar. Campeonato Brasileiro de Escalada. Taquara/RS. 1994
3º Lugar. I Floripa Open, shopping Beira Mar. Fpolis/SC. 1994.


CORRIDAS DE AVENTURA, EXPEDIÇOES
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3ª etapa do Ranking Catarinense de Escalada esportiva. 05 e 06 de agosto de 2006, shopping Beira Mar, Floripa-SC. Via final feminino e masculino, pódio + resultado final, making of.
Imagem: Schen, Juca, Ju, Josi. Edição: Juliana Petters
Atletas: Juliana, Eleandro, Daniel Casas e Sorriso.



Etapa do Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva. 22 e 23 de julho de 2006, shopping Alta Vista, Belo Horizonte-MG. Via semi-final e final masculino + resultado geral. Emocionante vitoria do Fabinho!!!!
Imagem: Juliana Petters. Edição: Julio Kalango.
Atletas: Flavio Canteli e Fabio Muniz.

Media

2006----------------------------------------------------------------------------




2005-----------------------------------------------------------------------------

janeiro/2005- SOBREVIVENTE DO TSUNAMI

"Cena era de destruição e silêncio", diz catarinense
JAIRO MARQUES
DA AGÊNCIA FOLHA

A esportista brasileira Juliana Petters Melo, 26, de Santa Catarina, estava na província de Krabi, localizada ao sul da Tailândia, também atingida por tsunamis. Fez a viagem para escalar montanhas, um sonho que mantinha desde a infância.
Em relato enviado por e-mail à Folha, a esportista catarinense, que acompanhou a tragédia das praias de Tom Sai e Railey, afirmou que "a sensação era de destruição e silêncio". Abaixo, ela conta o que viu, como reagiram as pessoas e o que restou de um local considerado paradisíaco.

"As ondas aqui foram mais amenas, mas, mesmo assim, todas as construções da praia foram danificadas. Pessoas que estavam na areia disseram que o mar recuou uns 150 metros e uma onda de cerca de cinco metros se formou em seguida.
Os tailandeses começaram a gritar "big wave, big wave" (onda grande, em inglês) e outras coisas em tailandês. Eu estava no meu bangalô (a uns 400 metros da praia) e escutei os gritos e o estrondo da primeira onda e, depois, da segunda.
Tailandesas passavam correndo com bebês no colo e gritando "corre, corre". No dia anterior, uma das torres de calcário da praia estava com os arbustos em chamas por causa dos fogos de artifício do Natal, então, quando vi as tailandesas correndo, achei que a praia estava pegando fogo, afinal, todos cogitaram a possibilidade de incêndio no dia anterior. Corri, peguei minha câmera e fui para a praia no sentido contrário da maioria das pessoas.
A cem metros da praia avistei os destroços. Uma cena chocante. Os "longtails" (barcos tailandeses) estavam dentro dos restaurantes. Tudo estava destruído. Que fogo que nada, era muita, muita água.
Uma outra onda veio e pude sentir um pouco como foram as outras. Não era uma onda grande, mas muito densa. Um volume grande de água.
As pessoas aqui em Tom Sai tiveram tempo de correr. Na praia vizinha, Railey, a história foi outra. A praia tem hotéis luxuosos e estava lotada de turistas. Crianças brincavam na areia, caiaques estavam no mar, havia gente nadando. Quem tentava sair da água disse que a força das ondas puxava de volta para o mar.
Caminhando por Railey, a sensação era de destruição e silêncio. Cinco barcos do tipo escuna de passeio estavam capotados na areia. "Longtails" e caiaques estavam a uns 200 metros da praia, em um terreno cinco metros mais alto do que a areia. Os macacos tomaram conta da praia. Se antes eles se intimidavam com os turistas, agora a praia é só deles.
Assisti ao resgate de uma turista que estava em um caiaque e foi jogada entre as pedras. Ela sobreviveu, mas viu a mãe, que estava em outro caiaque, morrer.
Das mais ou menos 6.000 pessoas que circulavam por aqui, sobraram umas 200. Dessas, cerca de cem são escaladores. Todos estão ajudando na limpeza das praias.
Tom Sai e Railey são famosas pelas escaladas e recebem escaladores do mundo todo -assim como eu-, que vêm para cá nesta época de pouca chuva e clima menos quente.
Aqui o transporte é feito pelo mar. Como a maioria dos "longtails" quebraram, o Exército veio ajudar. Levaram a maioria das pessoas, gente muito assustada e preocupada com suas famílias -que, na maioria, vivem perto do mar."

fonte1 - SITE DO MINISTERIO DAS RELACOES EXTERIORES

www.mre.gov.br
fonte2 - SITE DA FOLHA DE S. PAULO
www.folha.uol.com.br

2004-----------------------------------------------------------------------------

Maremoto na Ásia
Quarta, 29 de dezembro de 2004, 12h19
Brasileiros mandam relatos sobre tragédia na Ásia



..."Juliana Petters Mello ex-apresentadora do programa Patrola da RBS TV/SC estava na província de Krabi na Tailândia, que foi devastada pelo Tsunami. Por e-mail, ela relatou a tragédia:

"Tô na Tailândia, na província de Krabi e ontem um maremoto (Tsunami) varreu a praia onde eu estou. Que loucura!!!! Tô bem, mas várias pessoas morreram, outras tantas feridas e todos os restaurantes e bares da praia sumiram. Todo transporte é feito de barco, não tem estrada, e todos os barcos estão quebrados. Os tailandeses já dispararam e sem os nativos aqui pra trabalhar não sei como todos esses turistas vão ficar. Os habitantes locais acham que é coisa do demônio e que esse lugar inteiro vai afundar. vou ver como as coisas acontecem nos próximos dias se não disparo por uma trilha que leva pra praia vizinha"....

Fonte: http://noticias.terra.com.b



2003-----------------------------------------------------------------------------

filme curtametragem (figurante)





2002------------------------------------------------------------------------------




o registro aqui é o Patrão e a Cicarelli em fotos menores.
Déia e a Lígia grandes professoras.

2001-------------------------------------------------------------------------------


IRAM NA EMA 2001 - AMAZONIA
Todas as 50 equipes, muitas delas do exterior que participaram da EMA 2001 AMAZÔNIA foram mistas, formadas por quatro atletas. Fizeram parte da prova, os seguintes esportes: orientação, trekking, mountain biking, técnicas verticais, natação, canoagem em canoas locais e caiaques infláveis. Além dos conhecimentos básicos para participar de qualquer corrida de aventura, é essencial que os competidores tenham conhecimento de sobrevivência na selva.
Novamente disputando uma prova de aventuras e ampliando sempre sua atuação, a IRAM participou desta vez com uma equipe própria na EMA - a Expedição Mata Atlântica 2001, em sua quarta edição que foi realizada entre 23 de novembro a 02 de dezembro de 2001, na maior floresta tropical do mundo: a Amazônia. A EQUIPE IRAM foi formada pelos atletas Fabio Fakgyver, Paulo Coelho, Ramon Valls Martin e Juliana Petters.

fonte- http://www.iram.com.br/ema2.htm

2000------------------------------------------------------------------------------




1999-------------------------------------------------------------------------------


1998-------------------------------------------------------------------------------

1995-------------------------------------------------------------------------------

1994-------------------------------------------------------------------------------

1993-------------------------------------------------------------------------------